segunda-feira, 7 de dezembro de 2009

Gravura


A oficina gráfica do povo conhecida como " O Taller de Gráfica Popular" foi idealizada por Leopoldo Méndez, Luis Arenal e Pablo O’Higgins em 1937, estes artista gravadores. O taller era o suporte dos artistas nesta área. Também conservava a tradição mexicana do século XIX, oriunda de Posada.


O taller era artisticamente a imprensa da época, mostrava situações, lutas, as condições política sociais do povo. Embora O taller trabalhava mais com gravuras em chapas de linóleo, madeira e pedra, houve espaço para a fotomontagem de Gustav Klutsis.



Jean Charlot, recém chegado da França em 1921, introduziu a xilogravura entre os artistas ligados a pintura de murais. Em 1924 artistas de diversas áreas financiou uma jornal de formato grande, cuja estampa era com a xilogravura nas cores preto e branco. Entre os artistas estava Leopoldo Méndez, que em uma de suas obras homenageia Posada.


Leopoldo Mendez - Homenagem a Posada 1956 - Xilogravura, 36,2x78,5

Podemos também incluir uma das obras de Posada “Fuzilamento de Bruno Martinez” que embora foi feita em 1892 mas só foi publicada em 1943 na Cidade do México por Arsacio Vanegas Arroyo. Na ilustração, vemos o esquadrão de fogo preste a fuzilar Martinez .


O fuzilamento de Bruno MartinezObra de Posada feita em 1812 Publicada em 1945 pelo Taller

Outro artista foi José Clemente Orozco.


Povo Mexicano - 1930 Soldados mexicanos 1929 litogravura. litogravura 27,7x38,8 cm 28,3x45,7

O Taller compunha-se de três ambientes que servia para: exposições, workshop, e outro para as máquinas. O grupo de artista deste, era também: Méndez, Arenal, O’Higgns, Ignácio Aguirre, Raul Anguiano, Angel Bracho, Jesús Escobedo, Everardo Ramires, Antonio Pujol, Alfredo Zalce e Isidoro Ocampo, porém só na década de 1950 chegaram mais artistas, mas permaneceu em torno destes.


Pablo O’Higgns Oleiro litogravura 1940 O’Higgns O mercado litogravura35,5x29 cm 1940 29x36cm


Leopoldo Méndez - A Serpente - 1945 xilogravura 13,2x13,5cm


Angel Bracho – A ponte de Nonoalco ou A Ponte e o mascate 1944 litogravura 46,5x58,4cm

O Taller de gráfica popular marcou profundamente a imprensa de tal forma, que os artistas ligados à tradição modernista de Nova York não ousaram a se inspirar neles, pois acreditavam a gravura estar relacionada como uma atitude social e política.

As reformas radicais ocorreram entre 1934 e 1940, sob a presidência de Lázaro Cárdenas, isso deu continuidade ao programa do mural. Cárdenas com pôsteres de página única onde pregavam a expropriação de petróleo nas mãos estrangeiras. Teve sua luta pela realização de uma reforma agrágria efetiva, originalmente planejada por Emiliano Zapata, através das Cooperativas de terras. Foi responsável pela nacionalização dos recursos do Subsolo especialmente do petróleo.

Eram produzidas várias obras que opunham a exploração do povo e os abusos contra os camponeses. Mesmo com críticas às chapas de linóleo, as lineogravura continuavam sendo feitas por ser de baixo custo.

No Brasil houve a criação de dois clubes de gravadores. Os mais significativos foi o clube de Porto alegre, este foi criado por Carlos Scliar e Vasco Prado.


Vasco Prado - Cartaz para publicação xilogravura em papel jornal 47,5x33cm

Anônimo - Cordéis 1970 Instituto Nacional de Artes Rio de Janeiro

Carlos Gozales foi um gravador uruguaio, sua carreira solitária. Não há registro se ele conheceu os gravadores mexicanos. Gonzáles rejeitava a cultura urbana europeizada.


Calos Gozales - A morte de Martin Aquino 1943 Xilogravura 39x48cm

Carlos Gonzáles - O duelo - 1951 xilogravura sobre papel jornal 47,5x33cm Museu Nacional de Artes Plásticas Montevidéu

Henrique Oswald também marcou com sua obra sobre problemas sociais. A inflação está no museu de Arte Contemporânea de São Paulo.



Henrique Oswald - A inflação 1944-1950 - Aguatinta, água forte, ponta seca 23x31,7cm

Lasar Segal lituano o pintor e gravador mudou-se para o Brasil no ano de 1923. Já era um artista conhecido. Contudo, foi aqui que, segundo suas próprias palavras, sua arte conheceu o "milagre da luz e da cor".


Lasar segal -Terceira classe 1928 - Gravura em metal ponta seca 28x32,5cm Museu Nacional Lasar Segal São Paulo


Lasar Segal - Mulher do mangue com persiana ao fundo - 1942 Xilogravura sobre papel 15,5x8,5cm - Museu Lasar Segal


Lasar Segall - Paisagem com cavalo e casa II Lasar Segall - Baile, 1929
1929 - Xilogravura15,8 x 21,9 cm Gravura em metal

Ponta seca 23,5 x 17,7 cm

quarta-feira, 8 de julho de 2009

Arte Brasileira anos 60 e 70

Seguindo a tendência nacional “ referindo-se à busca de uma identidade brasileira através de cores, temáticas, como buscava o modernismo antropofágico iniciado nos anos 20”, vai assim aos poucos se enfraquecendo, enquanto aumenta o número de artistas abstratos. O resultado do crescimento da arte abstrata no Brasil foi marcante. Nos anos 50 vimos o movimento de arte concreto e neoconcreto que resultaram em uma linhagem artística madura.
De maneira geral, o concretismo/neoconcretismo, na arte, é a promessa da construção do novo. Prega uma linguagem universal, livre de contextos específicos, e livre de um excesso de subjetividade e emotividade. Libera a arte de questões externas e ela mesma, estabelecendo sua autonomia e suas necessidades formais e construtivas. É um fato histórico que o neoconcretismo foi o último movimento plástico de tendência construtiva no país e que, inevitavelmente, encerrou um ciclo,“sonho construtivo” brasileiro com estratégia cultural organizada.
Decorrente do contexto acima citado chegamos nos contornos dos anos 60/70. Depois do fim da Segunda Guerra Mundial, alguns artistas deixaram de lado a relação que se fazia entre arte e objeto estético concebido dentro de padrões acadêmicos pré-estabelecidos, se propuseram a desenvolver trabalhos em que o artista não mais operava dentro da necessidade de produção de objetos únicos e concebidos para realçar sua "genialidade” .
Nota-se então novas propostas nas obras do artista, em vez de continuar circunscrito ao universo do "belo", passa a operar em relação a outras demandas socioculturais. Isto foi mais importante do que seguir as preocupações estéticas, começa a surgir o imperativo de posicionar-se claramente em relação às diversas instâncias sociais, utilizaram objetos e procedimentos totalmente fora do universo artístico estabelecido.
Toda uma liberdade clamada pela obra de arte ganha novos contornos com a arte conceitual. Ali, materiais precários e muitas vezes efêmeros anunciam a possibilidade de a arte se desgarrar de aspectos mais objetuais, coisificados e particularmente mercadológicos, para exercer papéis sociais e políticos.
Atuando sob o regime militar, artistas criaram estratégias simbólicas e metafóricas para penetrar o cerco à liberdade de expressão, acusar a mercantilização da arte, apontar para a necessidade de interação pública/espectador, denunciar o aburguesamento social, comentar a evanescência da arte e a fragilidade da vida.
Os anos 60 e 70 foram anos agitados pelo processo de ditadura militar, o qual o Brasil passava. Havia muita perseguição qualquer manifestação artística era geralmente interpretada como subversão, Artur Barrio, Cildo Meirelis, pela sua ideologia aproveita para realizar um trabalho inédito.

Alguns artistas:

Artur Barrio :
( Porto, 1946) é um artista plástico português que vive no Rio de Janeiro desde 1955
Ingressou na Escola de Belas Artes em 1967 e foi um dos primeiros artistas a realizar gigantescas instalações com composições caóticas, onde misturava múltiplos elementos


Em 1969, começa a criar obras inusitadas como: trabalhos de grande impacto, realizados com materiais orgânicos como lixo, papel higiênico, detritos humanos e carne putrefata como as Trouxas carregadas de sangue com os quais realiza intervenções no espaço urbano.
Nos anos 70, ele espalhou trouxas ensangüentadas pelo Rio de Janeiro e por Belo Horizonte em uma ação clara contra a ditadura. Barrio nos prova, de forma sempre muito radical, que uma obra de arte pode renunciar ao mercado.
Seu trabalho foi realizado em Belo Horizonte, Minas Gerais, em 20 de abril de 1970. O local foi um rio/esgoto, colocação de 14 T.E, Parque Municipal.
Uma platéia de, aproximadamente 5.000 pessoas. este trabalho (colocação das T.E.no local) teve início pela manhã, sendo que as cenas registradas comentam visualmente o que aconteceu a partir das 15 horas com a participação popular e mais tarde com a intervenção em princípio da polícia e logo após do corpo de bombeiros.


Para o artista carne foi um elemento de protesto e manifestação de idéias e ideais,







..
Artur Barrio
...Situação ...Ossos ...Sacos ...Ossos1970





Cildo Meireles:
Outro artista foi Cildo Meireles é um artista conceitual com uma reputação internacional, que cria os objetos e as instalações que acoplam diretamente o visor em uma experiência sensorial completa, questionando, entre outros temas, o regime militar brasileiro (1964 - 1984) e a dependência do país na economia global. Cildo Meireles


As escritas nas garrafas dizem: Cildo Meireles Inserções em Circuitos Ideológicos - Projeto Coca-Cola, 1971.

Os objetos e instalações atmosféricas de Cildo Meireles, do final da década de 1960. O artista sempre lançou mão de objetos do cotidiano fabricados, eletrônicos para criar seus trabalhos. Uma coluna feita de rádios que funcionam, ou garrafas, móveis, decorações etc.


Cildo Meireles, Inserções em circuitos ideológicos Projeto Cédula, 1970.
Carimbo sobre papel moeda com a pergunta “Quem matou Herzog?”

Outra obra foi desvio ao vermelho, uma instalação que reproduziu um ambiente de uma casa. Abaixo um foco da obra. Sobre a obra diz Cildo: "Gosto de pensar a arte em termos que não estão limitados ao visual".


Parte da Instalação "Desvio ao vermelho" de Cildo Meireles, parte da exposição do artista brasileiro no Museu de Arte Contemporânea de Barcelona (Macba), Espanha

Antônio Henrique Amaral:
Um tributo a Herzog
Antônio Henrique do Amaral foi um dos artistas que se preocupou em levar para sua obra o tema do assassinato de Herzog nas prisões militares. Dentro do quadro das obras que denunciavam a tortura, Amaral retoma de forma agressiva a representação da violência militar na série de quatro obras.


Vamos pensar duas dessas obras A morte no sábado – tributo a Wladimir Herzog, de 1975 e Ainda a morte no sábado, de 1976.Na tela A morte no sábado – tributo a Valdimir Herzog (fig. 58), sobre um fundo negro, como que um corpo manchado por pancadas, aparece em cores vermelhas, amarelas e brancas, uma espécie de representação das vísceras sendo perfuradas por quatro garfos.
Aqui Amaral retoma a oposição entre formas orgânicas e metálicas num jogo de violência que é acentuada pelo fundo escuro. Como sugere o título, estamos diante da morte de um personagem da história da repressão política do período militar: Wladimir Herzog. Embora tenha sido dado por suicida, fica claro nesta tela a intenção de denunciar a causa da morte de Herzog como resultado das torturas que sofreu nos porões de uma prisão militar.
Como numa espécie de “troféu da repressão, garfos erguem o corpo reduzido a um monte de carne ensangüentada”. É visível a tentativa do artista em mostrar que o que está sendo perfurado é um corpo. Peles se abrem para fora, depois de rasgadas; veias surgem em meio ao amontoado de gorduras e tripas. A tonalidade vermelha predomina, nos fazendo imaginar órgãos sujos de sangue. O contraste, produzido pelo encontro do metal com a carne, reforça a
violência da cena. Numa espécie de grande zoom podemos ver de perto o estrago que se produz. Numa espécie de alegoria sobre a morte de Herzog, revela-se,afinal, a causa de sua morte: a tortura.

Em outra obra, da mesma série, denominada Ainda a Morte no Sábado, de 1976, Amaral explicita, mais uma vez, o contraste entre metais e vísceras. Dessa vez, introduzindo um novo elemento que acompanha e ajuda o garfo a perfurar a carne: uma espécie de “coroa de Cristo” – mais um dos instrumentos de tortura usados durante o regime militar. Esse instrumento era colocado sobre a cabeça da vítima e fortemente pressionado, produzindo ferimentos e dores de cabeça terríveis – o objetivo era obter confissões forças e delações.
Na tela o contraste se acentua com o fundo vermelho, também característica de corpos machucados por espancamentos, e vísceras e instrumentos metálicos claros. Gorduras brancas abundam ao lado de vísceras,
sendo todas ultrapassadas de alguma forma pelos instrumentos metálicos.
Novamente Amaral faz uso do recurso de aproximar ao máximo o acontecimento,num zoom que privilegia a violência dos metais contra a carne desfigurada.
O título da tela faz referência a um dos dias da semana: sábado. É o dia da prisão de Herzog e de sua provável morte. É um dado que unido à representação das vísceras procura denunciar o assassinato de Vladimir Herzog.
Em depoimento de 1986, Antônio Henrique Amaral deixa claro sua
intenção de denúncia política na criação das obras que surgiram logo após o golpe militar: “Meu trabalho tornou-se francamente descritivo a partir do golpe militar de 64 (...) Eu acho que todo trabalho de arte tem uma relação política, a atividade artística é uma atividade política. No meu caso, eu fiquei francamente explícito. Eu fiz questão de me tornar quase panfletário. (...) principalmente na série das gravuras dos militares.


Referência

CAVALCANTI, Jardel Dias. Artes Plásticas: Vanguarda e Participação Política (Brasil anos 60 e 70). Campinas: 2005. (Tese de Doutorado – Unicamp).


Webgrafia

http://pt.wikipedia.org/wiki/Cildo_Meireles acessado em 05/06/2009.
http://www.muvi.advant.com.br/artistas/a/artur_barrio/ossos.htm

terça-feira, 7 de julho de 2009

Qual é a sua, Geração 80?

Nós do grupo anos 80, (Emilio Caetano, Ludmila Sapiência, Mileyde Araujo, Simone, Ronaldo Rawmison) iremos abordar um pouco da produção artística da década de 1980 e os conflitos e contextos da chamada "volta da pintura".

Sempre que se fala da produção artística da década de 1980, da volta da pintura, refere-se ao período como um momento onde se produz obras menos cerebrais (dominantes em anos anteriores), onde está de volta o prazer de pintar, do fazer, da práxis como diz Marcus Lontra. Vê-se neste período uma produção hedonista, onde o corpo tem importância tanto nos gestos gravados em grandes camadas de tinta, como no reflexo da liberação do mesmo e da afetividade. Existem várias associações ao frenesi pictórico da época com o contexto social, político e cultural. Maria Cristina Castilho Costa, no seu artigo Cenário Social da Década lembra que “os meios de comunicação de massa puseram as nações em uma mesma mesa de debates”. As notícias, as idéias circulavam cada vez mais rápidas e “a população das mais longínquas áreas passou a ter acesso instantâneo a informações e a participar, como espectadora, de acontecimentos que não se restringiam mais à sua experiência imediata”. Junte-se a euforia da abertura democrática, os movimentos populares pelas Diretas-já, então vivia-se nas palavras de Marcus Lontra, idealizador da exposição “Como vai você Geração 80?”, o que ele chama de “uma sensação interna de vitória, e as pessoas participavam da democratização brasileira de uma maneira romantizada. Queríamos festejar, aproveitar a vida”. A exposição “Como vai você Geração 80?” foi realizada de forma grandiosa, registrando a produção do período, que teve centro no Rio de Janeiro principalmente, em São Paulo, e através de mostras, influenciou artistas de outros estados do país. Na mostra, aberta em 14 de julho de 1984, participaram 123 artistas; Dentre eles: Alex Vallauri (1949 - 1987), Ana Maria Tavares (1958), Beatriz Milhazes (1960), Cristina Canale (1961), Daniel Senise (1955), Ester Grinspum (1955), Frida Baranek (1961), Gonçalo Ivo (1958), Jorge Guinle (1947 - 1987), Karin Lambrecht (1957), Leda Catunda (1961), Leonilson (1957 - 1993), Luiz Zerbini (1959), Luiz Pizarro (1958), Mônica Nador (1955), Sérgio Romagnolo (1957), Nelson Felix (1954) e Elizabeth Jobim (1957). Várias mostras seguiram depois interrogando ou referindo-se à Geração 80. Em Goiás, alguns artistas representaram a produção do período, como Selma Parreira e Luiz Mauro.


Ainda no contexto da década, é importante lembrar a proliferação dos eletrodomésticos (televisão, microcomputadores) e de produtos da indústria cultural. Castilho pontuará alguns detalhes importantes, como as tiragens cada vez maiores das mídias impressas, do aumento de ilustrações nos jornais, da popularização de programas de TV, e a homogeneização das linguagens escrita, falada e televisiva; a cultura norte-americana se faz presente com a música e o cinema, disputando espectadores e clientes.

Assim a nova pintura, inserida no contexto descrito, apresenta características relacionadas com a instantaneidade, com a velocidade espontânea de realização, referências aos ícones da cultura de massa, e com pinturas realizadas nos mais diversos suportes incorporando os mais diversos objetos do cotidiano. Nas palavras de Leite e Peccinini a pintura, num contraste com o hermetismo precedente está “livre para a criação-citação (pintura híbrida); ironizar ao inverter significados padronizados; representar imagens desencaixadas; ultrapassar limites da moldura do quadro com grandes formatos e cores atrativas; escolher entre múltiplos materiais e técnicas; e optar por signos figurativos ou abstratos”. Outras características do período são apontadas por Frederico Morais, no seu artigo A pintura resiste, em que destaca a participação das escolas de arte (como a EAV/Parque Lage, que estranhamente não coloca a exposição entre os ‘eventos marcantes’ em sua página na internet), dos ateliês coletivos, salões, mostras e grupos de discussão. Para ele os integrantes da geração tinham interesse em conhecer novos materiais, apurar técnicas pictóricas e paralelamente discutir questões de ordem estética e conceitual.

A crítica de arte teve um posicionamento diverso em relação à produção do período. Como mostra Frederico Morais, alguns ignoraram a Geração 80, outros registraram o fenômeno de forma acadêmica, e uma outra parte engajou em defesa da produção, no que Morais chama de “um texto fortemente subjetivo e emocional, por vezes visceral e confessional”. Numa entrevista a Sonia Coutinho sobre a Geração 80, Morais fala sobre a crítica do período: “Interessante é que a geração 80 exigiu um texto crítico diferente. Entrou em cena uma crítica mais verborrágica e mais psicanalítica. Era um tipo de crítica menos teórica, menos certinha. De certa maneira, o crítico se punha também dentro do texto, era uma crítica bem derramada. Era uma crítica com um texto totalmente diferente dos textos, por exemplo, da Aracy Amaral, do Marcio Doctors. E principalmente, eram textos que iam contra os do grupo todo do Ronaldo Brito, que escrevia de forma muito asséptica, muito limpinha”.

As obras da Geração 80 têm certa padronização, o que para Morais se tornará insuportável. Dentre as críticas mais ferrenhas, estão as relacionadas com o comportamento dos artistas em relação ao mercado, com a participação cada vez maior das galerias de arte.


Para representar a produção, com as características, como emoção, intimismo, expressão instantânea, e outras citadas acima, estão aqui obras de Victor Arruda (que foi dono da galeria Saramenha, e é professor da Escola de Artes Visuais do Parque Lage, Rio de Janeiro, RJ); Leda Catunda (Pintora e gravadora. Cursou artes plásticas na Fundação Armando Álvares Penteado - Faap, em São Paulo, entre 1980 e 1984A partir de 1986, leciona na Faap e em seu ateliê, até meados dos anos 1990. Desde o fim dos anos 1980, ministra também workshops e cursos livres em várias instituições culturais no Brasil e ocasionalmente no exterior);













Victor Arruda

Leda Catunda


Referências:

MUSEU, Revista. ‘Onde está você Geração80?’. Disponível em: Acesso em 25 de Junho de 2009.

MORAIS, Frederico. Entrevista concedida a COUTINHO, Sonia. Trinta anos de Geração Ointenta. Disponível em: Acesso em 25 de Junho de 2009.

________________. Anos 80: A pintura resiste. In: BR/80 Pintura Brasil Década 80. Itaú Cultural,

LEITE,Luciana de A.; PECCININI, Daisy V. M. A volta da pintura nos anos 80. Disponível em: Acesso em 24 de Junho de 2009.

Imagens e biografias

http://www.annamarianiemeyer.com.br/VICTOR_ARRUDA/curriculo_n.htm

http://mixbrasil.uol.com.br/cultura/panorama/vitor_arruda/vitor_arruda.asp

http://blogs.myspace.com/index.cfm?fuseaction=blog.view&friendId=109254366&blogId=167384909

http://www.itaucultural.org.br/aplicExternas/enciclopedia_IC/index.cfm?fuseaction=marcos_texto&cd_verbete=3755




quarta-feira, 1 de julho de 2009

Arte Contemporânea no Brasil



























































As primeiras manifestações da arte contemporânea brasileira ocorreram entre a década de 50 e 60. O artista Flávio de Carvalho fez duas ações performáticas: “A Experiência nº 2” e “A Experiência nº 3”, realizadas em 1931 e em 1956 (1);Também Lygia Clark (1960)(2) com “Os Bichos” e Hélio Oiticica com a obra “Núcleos e primeiros Penetráveis de (1960) (3)”. Oiticica continuou com seu processo experimental, realizando: “Maquetes como a do Projeto Cães de Caça” (1961), os “Bólides” (1963- 1966) e os “Parangolés” (1964-1969) (4). Clark produziu “Caminhando” (1964) e as “Máscaras Sensoriais” (5). Ambos artistas e trabalhos consolidaram as posições pioneiras dos dois artistas em relação a origem e à expansão efetivas da arte contemporânea no Brasil ou seja Oiticica e Clark foram importantes para arte contemporânea brasileira Nos últimos 45 anos, a Arte Contemporânea Brasileira configurou uma “rede inteligível” de obras e de ações contemporâneas que poderiam ser inscritas em debate internacional.Assim o ocorreu no mesmo momento, nos Estados Unidos e na Europa, a transição do modernismo (pesquisa e invenção formais) para a contemporaneidade ícone e a narrativa) que introduziu pela no campo da arte a temporalidade como fluxo ou processo .
No ano de 2003 os principais grupos de artistas brasileiros dedicados a intervenções públicas e efêmeras foram:

· Atrocidades Maravilhosas;
· Radial;
· Vapor;
· Hapa;
· Rés do Chão;
· Agora;
· Capacete;
· Açúcar invertido;
· Interferências Urbanas (Rio de janeiro);
· Grupo Ponteseis;
· Galeria do Poste (Niterói);
· Núcleo Performático Subterrânea;
· Grupo Los Valderramas;
· Espaço Coringa;
· A.N.T.I. Cinema;
· Fumaça;
· ZoX;
· Marrom;
· Grupo CONTRA;
· Linha Imaginária (São Paulo);
· Alpendre;
· B.A.S.E.;
· Transição Listrada (Fortaleza);
· Entorno (Brasília);
· EmpreZa;
· NEPP;
· Grupo Valmet (Goiânia);
· Urucum;
· Invólucro,
· Cia Avlis em movimento;
· Murucu (Macapá);
· Torreão;
· Grupo Laranja;
· Flesh nouveau!;
· Perdidos no Espaço (Porto Alegre);
· Grupo Camelo, Valdisney (Recife);
· “Grupo” (Belo Horizonte);
· After-ratos (os ratos estão em toda parte);
· Movimento Terrorista Andy Warhol – MTAW (sem procedência fixa, única ou revelada). Nem todos continuam ativos. Muitos existiram graças à crescente indefinição (e confusão) de fronteiras entre arte, ética, política, teoria, afeto, sexualidade, público e privado.
Sobre essa nova manifestação da arte brasileira escreve Marisa Flórido César: “Com poéticas e cogitações distintas, guardam em comum entre si e as cidades a contaminação e a dispersão dos territórios: a flutuação de fronteiras e de significados, entre as categorias artísticas, o autor e o espectador, a arte e a vida. Uma constituição relativa que implica e evidencia a trama de relações na qual esses trabalhos se inserem, engendram e criticam: uma trama de afetos, sistemas e fenômenos exteriores ao universo soberano e autônomo da arte moderna, às condições abstratas e ideais de espaço e de tempo que esta reivindicava. Tomando de assalto o que permanecera às margens de seu universo auto-referente, invadem-se pelas alteridades, deslocam-se para os espaços do mundo, realizam-se na circunstância e nos encontros fortuitos.” Para estabelecer conexões genealógicas diretas entre esta produção intervencionista atual e o passado recente da arte brasileira, deve-se citar, entre outras, referências internacionais(como foi descrito anteriormente), com o Dadaísmo, Duchamp, o Grupo Fluxus, e brasileiras, tais como as emblemáticas intervenções de Flávio de Carvalho (experiências nº 2, 1931, e nº 3, São Paulo, 1956), Helio Oiticica ( Parangolés, Rio de Janeiro,1964-1969), Lygia Clark (Cabeça Coletiva, Paris, 1975), Lygia Pape (divisor, Rio de Janeiro, 1968), Nelson Leirner ( Porco Empalhado, IV Salão de Brasília, 1967), Cildo Meireles (Inserções em Circuitos Ideológicos/ Projeto Coca-cola, Projeto Cédula, Rio de Janeiro, 1970 -1975), Barrio (intervenção no Ribeirão do Arruda, Belo Horizonte, 1970), Antonio Manuel (Corpobra, Rio de Janeiro, 1970).



Alguns Artistas Contemporâneos:


Franz Krajcberg

Franz Krajcberg nasceu em 1921 na Polônia. Foi um dos primeiros artistas no Brasil com idéias ecológicas. Viveu em grandes centros como Rio de Janeiro e São Paulo e longa temporada em Paris. Atualmente vive na Bahia, em uma pequena vila trabalhando com elementos da natureza. Seu trabalho é feito por meio de pintura sobre cascas de árvores, troncos ou raízes. A madeira tem sua forma alterada. Krajcberg assinou, em 1978, junto ao crítico francês Pierre Restany e o artista Sepp Baendereck o “Manifesto do Naturalismo Integral” ou “Manifesto do Rio Negro”, após viajarem juntos à Amazônia brasileira. Esse documento defende a reserva ecológica visitada.




Ivens Machado

Ivens Machado nasceu em 1942, em Santa Catarina. Atualmente vive no Rio de Janeiro. Seu trabalho mostra o ambiente de censurado período do regime militar no Brasil. Na obra “Mapa Mudo”,1979, por exemplo “retrata a dureza de um Brasil agressivo, violento”(AMARAL, 2005).



Siron Franco

Siron Franco, nasceu no ano de 1947 em Goiás. Suas obras possuem temáticas políticas e ecológicas. Quando ocorreu, em Goiânia, o escândalo radiotivo do Césio 137, ocasionando mortes e deixando seqüelas na população ainda hoje, Siron realizou uma série de obras,como a “1ª vítima (série Césio em 1987.



Rosângela Rennó

Nascida em 1962, Rosângela Rennó se preocupa com as imagens produzidas pela sociedade e os problemas sociais que essas imagens refletem. Rennó cria álbuns fotográficos com imagens anônimas. Seu trabalho de fotografia é feito através da pesquisa. Em um de suas obras a artista pesquisou foto de tatuagens em presos e ampliou essas imagens em dimensões maiores. Também amplia noticiários de jornais sobre violência urbana e os coloca em ambientes que ficam iluminados por pouco tempo. Por exemplo, na obra “Atentado ao poder(Via Crucis)”, de 1992 projetou em caixas de acrílico iluminadas com luz fluorescente, fotos de pessoas que morreram em massacres e acidentes nas metrópoles.

Rosana Palazyan

O tema da violência urbana é adotado por Rosana Palazyam(1963) de forma delicada. Na obra “...Antes eu só pensava e maconha e roupa de marca, mas vi minha mãe indo presa junto comigo. Agora quero parar...”(peça integrante da instalação’’ ... Uma história que você nunca mais esqueceu?”) produzida nos anos de 2000 a 2002, a artista borda sobre travesseiros histórias em branco como narrativas, seus temas norteiam os atos de agressão sexual ou ataques de policiais a infratores.

Mônica Nador

Mônica Nador, nascida no ano de 1955, pertence a geração de artistas que surgiu na década de 80. Suas obras percorreram caminhos desde às pinceladas fortes em telas grandes à trabalhos mais decorativos, voltados para a contemplação. Atualmente, e especificamente no Projeto Paredes Pinturas, desenvolvido em Vila Clara no Jardim Miriam em 2002, sobre a falta da qualidade de vida das periferias. Neste projeto, ela iniciou um trabalho conjunto às comunidades carentes, ensinou crianças, adolescentes e adultos a decorarem o exterior e o interior de suas moradias. Com esse trabalho Nador objetivou melhorar a auto-estima das famílias, transformando a decoração também em ferramenta para a qualidade de vida. Mônica Nador também desenvolveu esse trabalho em outros estados do Brasil.



LAND ARTE E MEIO AMBIENTE NO BRASIL
EDUARDO SRUR

Talvez você nunca tenha ouvido falar em Eduardo Srur, mas se mora em São Paulo já deve ter se deparado — não sem surpresa — com alguma de suas obras inusitadas, instaladas em espaços públicos da cidade.O artista, que em 2004 colocou, sem autorização, uma âncora no barco do Monumento às Bandeiras, inaugura nesta quarta-feira seu trabalho mais recente e impactante, formado por 20 esculturas de garrafas de 10 metros, espalhadas em 1,5 km das margens do rio Tietê, da ponte do Limão à da Casa Verde.Outros projetos inéditos de Srur prometem chamar a atenção dos paulistanos, incluindo uma intervenção no Masp e a instalação de salva-vidas em 15 monumentos públicos, como a estátua de Borba Gato, na zona sul da cidade.As esculturas infláveis do Tietê, que serão iluminadas por dentro das 18h às 21h até fim de maio, imitam as garrafas de plástico conhecidas como “pet” e que são facilmente detectadas no meio dos lixos e resíduos da superfície do rio.
Srur passou 15 meses visitando as margens do Tietê para realizar esta nova intervenção, um desdobramento de sua obra no rio Pinheiros de 2006, quando levou para as águas poluídas 100 caiaques e 150 manequins. tv.pucsp.br/.../

Projeto do artista plástico Eduardo Srur, que pretende enfileirar vinte garrafas PET gigantes no Rio Tietê



Em 2006 espalhou ao longo do Rio Pinheiros 150 bonecos em caiaques, que ficaram emperrados no lixo, como os da foto

Frans Krajcbeg nasceu na Polônia em 1921. Estudou Engenharia e Artes na Universidade de Leningrado, na Rússia e, posteriormente, na Academia de Belas Artes de Stutgart, na Alemanha. Chegou ao Brasil em 1948 e, em 1951, participou da 1ª Bienal de São Paulo, iniciando sua carreira artística. Em 1964, começou a executar suas primeiras esculturas com troncos de árvores mortas. Vive no Sul da Bahia, desde 1972. Por:Ascom/Gov.Ba Matéria extraído do site Sulbahianews.com



Frans Krajcberg é um dos grandes representantes da arte contemporânea brasileira. Tem dois ateliês: um em Nova Viçosa, na Bahia, e outro em Paris, França. Nasceu na Polônia (Kozienice), em 1921, mas naturalizou-se brasileiro. O artista vive em uma casa da árvore na cidade de Nova Viçosa.
Krajcberg recolhe terra, pedras e galhos e os organiza em novos espaços para construir seus quadros-objetos. Ele usa os restos das queimadas para construir a sua obra, transformando a arte em um manifesto para defender o ambiente.
"Flor do mangue" é uma escultura de grande porte - mede 12 X 8 metros e 5 metros de altura. Foi construída a partir de resíduos de árvores de manguezais destruídos pela especulação imobiliária.
(Com colaboração de Catharina Mafra)

Camila Sposati
Guarujá, foto de 2003 do Projeto da Fumaça:
Camila Sposati, artista que participa do Paralelo, discute questões ambientais de forma poética.
Começa dia 29 de março e vai até 2 de abril o encontro internacional
Paralelo: tecnologia e meio -ambiente, organizado pelo British Council. O evento reúne artistas, designers e pesquisadores do Brasil, Holanda e Reino Unido, “para discutir diferentes formas pelas quais a colaboração interdisciplinar e através de fronteiras culturais pode permitir a pesquisa e novos insights em questões globais e locais da ecologia social”. Com sessões abertas ao público e outras fechadas para os participantes, o evento acontece no Centro Cultural São Paulo e no Museu da Imagem e do Som, e tem participação de nomes como Giles Lane, Esther Polak, Dominic Price, Laymert Garcia dos Santos e Felipe Fonseca. Além das sedes físicas, o evento também acontece em três espaços virtuais. www.artemov.net/blog/?cat&paged=2





Referências Bibliográficas:

AMARAL, Aracy. Arte e Sociedade no Brasil. São Paulo: Instituto Callis, 2005.

CANTON, Kátia. Novíssima arte brasileira. Um guia de tendências. São Paulo: Iluminuras, 2001.

www.arteonline.arq.br/museu/ensaios/ensaiosantigos/neoconcreto.htm acessado em 19 de junho de 2009 às 15h00min.

http://images.google.com.br/imgres acessado dia 22 de junho de 2009 às 19h30min.

www.itaucultural.org.br/aplicExternas/enciclopedia acessado em 22 de junho às 15h30min.

http://afilosofia.no.sapo.pt/artecont.htm acesso em 17/06/2009 acessado em 16 de junho de 2009 às 08h00min.


http://www.artbr.com.br/casa/index.html acessado em 22 de junho às 17h15min.

http://www.rizoma.net/interna no dia 02 de junho de 2009 às 16h15min.


Grupo: Isabella Morenna, Roselay Teodoro, Carlos Henrique S. Lima, Ivonete Oliveira, Mileyde Araújo, Mirelle Guedes.

quarta-feira, 24 de junho de 2009

Concretismo e Neoconcretismo


Concretismo e Neoconcretismo


Theo van Doesburg

Composição Aritmética, 1929-1930

óleo sobre tela 101 x 101 cm

Coleção privada



Ferreira Gullar (1999:212) no livro “etapas da arte contemporânea”, fala das dificuldades que se encontram para conceituar os movimentos artísticos, sobretudo os movimentos modernos como cubismo, futurismo, surrealismo etc. Segundo ele estes movimentos na maioria dos casos, aconteciam quando um grupo de jovens artistas elegia determinadas idéias básicas que funcionavam como hipótese para suas experiências poéticas, e que, com o tempo essas idéias poderiam ser reforçadas ou rejeitadas. Surge daí a dificuldade de encontrar uma resposta pronta e imediata, para perguntas como essa: o que é arte concreta?

Mesmo diante desta dificuldade Gullar (1999:212) busca na história uma resposta para esta pergunta, para ele a expressão arte concreta parece ter sido cunhada por Theo Van Doesburg em 1930, mas não com o propósito de iniciar um movimento estético. O objetivo era dar o que considerava ser o nome exato a uma arte que se tinha desprendido totalmente da imitação da natureza. Ainda para Gullar (1999:212) o nome arte concreta surge como uma tentativa de redefinição da pintura não-figurativa.



Tomás Maldonado
Sin título, 1945
Témpera s/ cartón pegada s/ esmalte s/ cartón 79 x 60 cm.
Colección privada, Buenos Aires


O fim da segunda guerra mundial foi um acontecimento marcante para a arte concreta e a expansão internacional da arte abstrata diz Gullar (1999:215). O movimento concreto irradia-se de Ulm Alemanha para a América Latina, primeiro para Argentina e depois para o Brasil. O grupo argentino era formado por Tomás Maldonado, Alfredo Hlito, Iommi e Claudio Girola. A revista Nueva Vision divulgava a arte concreta na Argentina. No Brasil o movimento concreto se organizou em torno de dois grupos o Ruptura de São Paulo e o Frente que foram os pioneiros do neoconcretismo.

Para Gullar (1999:215) Os artistas concretistas de São Paulo assumiram um caráter radical, o que desdobrou em reação e o surgimento de um movimento de revisão da teoria concretista, essa reação pode ser vista ou se exprime nas idéias e nas obras do grupo neoconcreto. O curioso na arte concreta brasileira na narrativa histórica de Gullar (1999:215) é que por volta de 1950, tinha um único defensor, Mário Pedrosa que começou a influenciar os artistas mais jovens. Ivan Serpa e Almir Mavignier foram os primeiros a aderirem a essa tendência.



Almir Mavignier

"blau", 1959

Serigrafia,

H 68 B 68 cm



Segundo Gullar (1999:233) o grupo concreto de São Paulo que por volta de 1951, formara-se em torno de Waldemar Cordeiro e Geraldo de Barros tinham-se ainda: os pintores Luiz Saciloto, Hermelindo Fiaminght, Mauricio nogueira Lima e Judith Lauand; o desenhista Lothar Charoux e o escultor Kazmer Féjer. O teórico dos artistas concretos de São Paulo foi o pintor Waldemar Cordeiro, para quem, em 1956 a arte concreta que praticavam definia-se como “o barroco da bidimensionalidade”.


Waldemar Cordeiro
"Movimento" - 1951
Têmpera s/ tela
90.1 x 95.3 cm


Breve conclusão:

Além de Pedrosa a primeira Bienal de artes de São Paulo em 1951 veio ampliar o interesse pela arte abstrata no Brasil. Nesta Bienal, Max Bill sagra-se o ganhador de grande prêmio de escultura com sua obra “unidade tripartida”. A partir daí, no Rio de Janeiro e em São Paulo, os artistas jovens entregaram-se de maneira mais decidida às experiências no campo da arte concreta.

Os jovens artistas do Grupo Ruptura de São Paulo e Frente do rio de Janeiro foram os que enfrentaram a hostilidade do meio artístico, ao experimentarem a arte concreta e neoconcreta. O Grupo Ruptura com características mais radicais foram os introdutores e defensores da arte concreta, liderado por Waldemar Cordeiro. Os artistas deste grupo acreditavam numa dinâmica visual, com efeito de construção seriada, a idéia rítmica linear do movimento, um fundo plano onde a forma se desenvolve na abstração, enfim, uma obra de arte como produto.

Foi o Grupo Frente os pioneiros da arte neoconcreta, embora constituído em sua maioria de artistas de tendência concreta, não obedecia a nenhum código rígido, essa característica adogmática que os diferenciava do grupo ruptura de São Paulo. Os neoconcretistas acreditavam na arte como uma atividade autônoma, vital e de elevada missão social. Tendo em vista a necessidade de educar os homens para conhecer suas emoções plenas, a linguagem geométrica apresentava-se como um campo aberto para alcançar estas experiências e indagações.

Aishá Terumi Kanda,

Adriana M. Rufino,

Denilson Pereira Rosa,

Rafael Abdala,

Reijane Olimpia

Referências Bibliográficas:

GULLAR, Ferreira. Etapas da arte contemporânea: do cubismo à arte neoconcreta. 3 edição, Rio de Janeiro, Revan: 1999.